Rochemback: "Sporting é o ideal para me dar títulos"
Fábio Rochemback regressou ao Sporting no início da temporada depois de três épocas em Inglaterra, mas podia ter regressado a Portugal para o rival Benfica. Mas assim que se falou no Sporting, a escolha estava feita.
Dele os adeptos leoninos esperavam que desse consistência e poder físico ao meio-campo. Tem cumprido, dando mostras da ambição que o levou a afirmar, quando assinou até 2011, que quer conquistar títulos, para o que considera estar no clube ideal.
Que balanço faz deste regresso ao Sporting passados cinco meses?É bom, a pré-época foi boa, logo com um título, o que é importante. O campeonato também está a correr bem. Estamos praticamente na metade do campeonato e temos tudo para conquistar os títulos que queremos. No plano pessoal superou o que eu esperava. Encontrei jogadores que conhecia da passagem anterior e a mistura com os novos é equilibrada. O treinador é diferente, mas conhecia-o como jogador. Estou tranquilo, estão a ajudar-me, tal como eu procuro ajudar com a experiência que tenho. As coisas estão a começar a surgir e estão a começar a carrilar bem.
A experiência em Inglaterra, no Middlesbrough, foi positiva?Foi muito positiva, em três anos aprendi muito, ajudou-me muito como pessoa e como profissional dentro de campo.
Quando chegou disse que queria títulos. O Sporting é o clube ideal para lhe satisfazer essa ambição?Acho que sim, é o clube ideal para me dar títulos. É um clube grande, vim para cá a pensar nisso e com o grupo que aqui está, vim para ganhar e conseguir títulos. Foi isso que me motivou, além da Champions.
É verdade que esteve perto do Benfica?Surgiram conversas com o Benfica. Procurei ficar de fora porque ainda estava a jogar, mas as pessoas que estavam a tratar do futuro comentavam comigo que havia interesse de lá, do Sporting, de Espanha e do Brasil, mas eu já conhecia o Sporting e tinha uma relação com as pessoas e por isso, quando surgiu a proposta, foi prioritário sentar para conversar e ouvir o que tinham para me oferecer. Acabou por dar certo.
Na luta pelo título como olha para a concorrência de Benfica e F. C. Porto?Até as equipas ditas mais pequenas estão a ter um bom campeonato, estão a superar-se e a conseguir tirar pontos dos grandes, o que é importante. O campeonato está bem nivelado. Nós que estamos em quarto, dependemos de nós porque ainda jogamos com os adversários directos.
O Leixões está a surpreendê-lo?Surpreende, é uma boa equipa como demonstrou contra nós, até conhecia pouco, mas está de parabéns.
O Sporting perdeu com os três que vão à sua frente. É por haver diferença de qualidade?Não há diferença de qualidade, o Sporting tem um bom plantel, um bom grupo e podemos lutar de igual para igual com qualquer equipa. Se olharmos para o grupo do Sporting existe muita qualidade. Claro que alguns jogos são melhores que outros, mas dentro do balneário está um grupo bom. Os problemas que dizem haver não entram. Os treinos correm muito bem e temos de pensar só em nós. Apesar das muitas coisas que dizem, estamos unidos e vamos conseguir passar por cima disso.
Concorda com o resultado do estudo feito pelo clube que atribui à falta de qualidade do futebol da equipa parte da responsabilidade pelo afastamento de adeptos do estádio?Não concordo. O futebol é resultado. Se vencermos o público vai. Claro que podem querer ver mais espectáculo, mas o futebol hoje em dia é resultado e nós vamos em busca da vitória. O importante é vencer cada jogo. Esse é o discurso, temos de pensar assim, empatar ou perder com grande exibição não interessa. O importante é vencer.
Acha que os adeptos estão convencidos disso?Têm de se convencer que o importante é vencer, porque com a ajuda delas vamos conseguir chegar mais longe e quem sabe se vencendo não daremos mais espectáculo. Temos de ter o apoio deles, que é importante.
Perante essas e outras críticas que a equipa tem sofrido, o grupo sente-se defendido pela SAD?Sim. O jogador de futebol tem de saber conviver com as críticas. Temos essa consciência, sabemos defender-nos, o treinador defende-nos bastante e a própria SAD é uma grande defesa para nós. Se nos unirmos em grupo e quem é do Sporting se juntar a nós, tudo pode dar certo.
Que diferenças há entre o Paulo Bento jogador e o técnico?São posições diferentes. Como jogador já era um líder. Gosto dele como treinador, conversa e eu gosto disso, procura saber o que o jogador precisa. Tive essa experiência em Inglaterra, onde eles comunicam, querem saber se a família está bem. Paulo Bento procura ajudar o jogador, sinto isso nele e é uma boa pessoa. Tem confiança e enorme carácter.
É ele que consegue a união de grupo de que fala?Ele junta muito o grupo, os jogadores e o clube precisam desse carácter num treinador, para poderem fazer o que têm de fazer.
No entanto há insatisfação em jogadores como Vukcevic, Miguel Veloso e Yannick...
Sempre tem de haver insatisfação. Quando um jogador não joga tem de estar insatisfeito, mas não o pode demonstrar. Tem de estar insatisfeito consigo mesmo e trabalhar mais. A decisão é do treinador e quem ficar de fora tem de respeitar quem vai jogar. Alguns jogadores mudam, outros têm mentalidade diferente. O grupo está bastante unido, procuramos ajudar, estar próximo. Já fiquei sem jogar, mas trabalhei e esperei a oportunidade para a agarrar.
"Sei da minha qualidade e confio em mim"
Uma das discussões em torno do meio-campo do Sporting é a posição em que Rochemback actua. O médio coloca-se à disposição do técnico e oferece a sua experiência aos colegas.
Em Inglaterra jogava numa posição mais adiantada, o típico 10. No Sporting tem alternado entre interior direito e médio defensivo. Em que posição sente que o seu potencial é melhor aproveitado?Gosto de jogar no meio. Houve épocas em Inglaterra em que jogava mais à frente, mas acabei a jogar mais atrás, que é uma posição que eu gosto. Sou útil onde o treinador quiser que eu jogue. Procuro ajudar o grupo, se o técnico sentir que tem de me mudar de posição, é onde vou jogar.
Em 2003 foi eleito o melhor jogador do campeonato português. Acredita que ainda vamos ver o Rochemback essa época ou está um jogador diferente?Ganha-se experiência e maturidade, mas sei da minha qualidade, confio em mim e posso chegar ainda ao meu nível mais alto, porque tenho ainda muito para dar. Vai ver-se no campeonato que ainda vai a meio e com a experiência que tenho procurarei ajudar, porque tenho muita confiança em mim.
É essa confiança que o leva a assumir os livres directos. Apesar de só ter marcado na pré-época vai continuar a bater os livres?Tenho confiança nos livres, gosto de bater, colocar a bola e tenho essa confiança. Trabalho diariamente porque isso não vem do acaso. Vou continuar a bater, apesar de só ter marcado um golo na pré-época, mas de certeza que vou acabar por marcar.
Dentro do campo nota-se, por vezes, que corrige os seus colegas. Sente-se uma referência na equipa?Sou uma pessoa bastante séria. Procuro fazer o meu trabalho e não deixar nada por dizer. Ajudo quem precisar e por isso tento ser um pouco referência para os outros pela experiência que tenho.
Fonte: Jornal de Notícias