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« em: Dezembro 28, 2011, 06:18:51 » |
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Ricard Zamora Martínez

Ricard Zamora Martínez - castelhanizado Ricardo (Barcelona, 21 de Janeiro de 1901 - 8 de Setembro de 1978) - foi um futebolista catalão que actuava como guarda-redes, tido por muitos como um dos melhores de todos os tempos na posição.
Sua roupa escura (por vezes substituída por uma camisa pólo branca) e o boné recto marcariam época no futebol espanhol, embora bem mais marcante fosse a sua habilidade.

Estreou no Real Español (nome à época do actual Espanyol), em 1916. Em 1919, foi para o Barcelona, onde jogaria três anos. Em 1922, voltou ao Español, clube cuja posição política era mais alinhada com a sua: "primeiramente e antes de tudo, eu sou espanhol", em época em que o Barça era dominado por atletas de origem britânica e que o forte nacionalismo catalão ainda era relativamente mais ameno, em anos pré-franquistas (antes do General Franco assumir o poder e pregar a opressão oficial às culturas das minorias étnicas da Espanha).
Mas carregou consigo a alcunha que recebeu enquanto jogador dos blaugranas: "O Divino [1] (El Diví em catalão, El Divino em castelhano)". Também conhecido como "O Mago", foi campeão catalão nos três anos em que ficou no Barcelona, onde ganhou também duas Copas da Rei. Durante o período em que jogou na região natal, defendeu também a Selecção Catalã.
Na mesma época, transferiu-se por, segundo a lenda, 150 mil pesetas (o suficiente para contratar cinco equipas inteiros, na época) em 1930 para o Real Madrid, ainda em época em que a rivalidade futebolística com a Catalunha não era tão forte. Ainda assim, enfureceu a torcida do Barcelona ao fazer uma incrível defesa no final da decisão da então "Copa do Presidente",nome da Copa do Rei na curta existência da Segunda República Espanhola, contra seu ex-clube, mantendo o placar de 2 x 1 em favor dos merengues - era a segunda Copa nacional que ajudava os blancos a vencer, tendo conquistado também um bi-campeonato espanhol em 1932 e 1933, os dois primeiros do Real (cujo nome passara a ser apenas "Madrid" em 1931, com a República), que demoraria mais de vinte anos para conquistar outra vez o campeonato, com a chegada da lenda Alfredo di Stéfano.
Aquela decisão contra o Barcelona, tida como uma das maiores exibições de sua carreira,foi disp***da em 21 de Junho. No mês seguinte, eclodiria a Guerra Civil Espanhola.
Suas convicções políticas durante o conflito até hoje não são claras[1]: a divulgação de sua morte, ainda naquele ano, pelo lado republicano foi usada como propaganda a favor dos nacionalistas (partidários de Franco). Para provar que o arqueiro esta vivo, uma milícia republicana colocou-o na prisão Modelo, onde Zamora sobreviveu ao participar de exibições de futebol.
Assim que solto, foi exilar-se brevemente na Argentina (cuja Embaixada na Espanha havia intercedido por sua libertação) e, depois, na França, onde actuou como jogador/treinador no Nice, onde teve a companhia de seu amigo e ex-colega de Barcelona, Selecção Espanhola e Madrid, Josep Samitier.
Pela Selecção, já havia obtido a medalha de prata nas Olimpíadas de 1920, ano em que estreou pela Furia. Disputou 46 partidas pela selecção principal, uma carreira que teve seu ponto mais baixo em um jogo de 1931, quando sofreu sete golos dos violentos ingleses na lama de Highbury; desconsolado, sentou-se no gramado e chorou.
Três anos depois, Florença assistiria a uma de suas melhores exibições pela Espanha, na Copa do Mundo de 1934, em que Zamora segurou o empate de 1 x 1 do tempo normal na prorrogação das quartas-de-final, contra os anfitriões italianos, mesmo após sofrer uma forte cotovelada no rosto do adversário Angelo Schiavio em um canto, no lance que originou o golo italiano (que empatou o jogo).
Mesmo não tendo demonstrado nenhum sinal de contusão no lance faltoso, surpreendentemente foi deixado de fora da partida-desempate, no dia seguinte, em que a Itália venceu por 1 x 0. Em uma Copa iniciada já em mata-matas, o desempate era apenas o terceiro jogo dos espanhóis - no primeiro, eliminaram o Brasil por 3 x 1, em que Zamora chegou a defender um penalti de Waldemar de Brito apenas seis minutos após Leônidas da Silva ter diminuído aos 11 minutos do segundo tempo a contagem (a Espanha já havia marcado os três golos), esfriando a reacção brasileira.[6] Suas duas exibições no torneio foram suficientes para fazer dele o escolhido como melhor guarda-redes da Copa.
Participou ainda em Dezembro de 1938, ainda em meio à Guerra Civil, de um jogo beneficente em favor dos nacionalistas entre a Selecção Espanhola e o equipa da Real Sociedad.

Em 1939, um ano após aposentar-se, iniciou a carreira de treinador, chegando a ser técnico da Espanha em 1952. Treinou em duas passagens o Español (onde, como jogador, ganhara a Copa do Rei de 1929 e os campeonatos catalães daquele ano e do de 1918), no final dos anos 50.
Mas seus títulos na nova função foram ganhos no Atlético Aviación (o atual Atlético de Madrid), comandando os rojiblancos em um bicampeonato da Liga Espanhola de 1940 e 1941, também os dois primeiros títulos espanhóis do outro grande da capital espanhola.
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