
“Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida”- ouço e penso sobre este verso de António Gedeão, poeta português que publicou vários poemas sendo o mais conhecido “Pedra Filosofal” onde se insere este verso sobre o qual reflicto. Musicado, de uma forma quase angelical, por Manuel Freire, fala de sonhos essencialmente, sendo que na altura em que foi escrito os sonhos eram, chamemos-lhe assim, “uma bola ao poste” pois vivíamos num período onde não havia liberdade e por isso os sonhos, a maior parte deles, não se podiam realizar, salvo como é óbvio raras excepções.
Os tempos são outros, e os sonhos também, mas as tais “bolas ao poste” continuam a existir tanto literalmente como não. Passando para o plano desportivo o exemplo de maior “bola so poste” é, salvo raras excepções, o do Sporting versão 2010/2011, onde estas foram mais que muitas, tanto dentro como fora das quatro linhas.
José Eduardo Bettencourt foi a maior delas. Sucessor de Filipe Soares Franco foi eleito a 5 de Junho de 2009 com a esmagadora percentagem de 89,4% dos votos. Nada fazia prever que o “reinado” de Bettencourt ia ser tão mau e inglório. Os adeptos e sócios já o conheciam e depositaram-lhe a confiança de chefiar o “seu clube”pois este já tinha desempenhado funções administrativas no clube leonino e até com sucesso, nomeadamente a de Administrador Executivo da Sporting.SAD, onde teve como o episódio mais caricato da passagem por este cargo, o do rasgo da camisola de Rui Jorge por Mourinho (Outra vez o da maldição! Está em todas o homem). Se esta passagem até nem foi má, a de presidente foi uma autêntica “bola ao poste”. Foi aproximadamente um ano e meio, de mandato de onde resultaram 0 títulos e muitos “flop’s”. A “aventura” acabou, e felizmente diga-se de passagem, após a derrota por 3-2 em Alvalade frente ao Paços de Ferreira onde Bettencourt apresentou a demissão, alegando que tal acção for para o “bem do Sporting”. Foi a maior “bola ao poste” do Sporting, pior é difícil.
Filipe Caicedo e Miguel Angel Angulo, foram mais duas “bolas ao poste”. Contratados no defeso de verão da época transata, eram apontados como dois bons jogadores e creio que até o são porém não conseguiram demonstram o seu talento em Alvalade. Um prometia trazer poder de choque à equipa, o que trouxe foram dores de cabeça. O outro ambicionava trazer experiência ao conjunto leonino. Não conseguiu também. Dois jogadores, duas “bolas ao poste”.
O actual treinador leonino foi pois outra bola ao poste. Paulo Sérgio entrou com um discurso vencedor onde afirmava que “vou ser campeão pelo Sporting” e actualmente o discurso já é outro “Estou todo negro, mas tenho vontade de levar mais”. Paulo tinha passado por Paços de Ferreira e Guimarães, onde até tinha sido feliz, conseguindo inclusive levado a equipa pacense ao Jamor. Porém isto não chega, é pouco, para se ser treinador e assumir um compromisso como o de ser treinador da grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal. O campeonato já é uma miragem, a taça de Portugal uma derrota, pois a equipa lisboeta já foi eliminada pelo Vitória de Setúbal. Resta a Taça da Liga e a Liga Europa. Será difícil ganhar alguma delas, mas se tivéssemos de eleger a mais acessível, seria a Taça da Liga onde os leões estão nas meias-finais onde enfrentaram o Benfica na Luz. Uma boa prestação na Liga Europa até poderá salvar a época. A equipa de Paulo Sérgio está nos dezasseis avos e com boas hipóteses de passar à fase seguinte(relembro que na primeira mão o Sporting empatou a uma bola em Glasgow). Mesmo uma passagem à próxima fase não salvará a época, para isso é preciso, por exemplo ganhar a Taça da Liga , ou chegar às meias-finais da Liga Europa.
Será que o Sporting tem capacidade para o conseguir? Deixo a pergunta em aberto até ao próximo artigo sobre a equipa Leonina…
By:Pedro Lemos